Comunicação e Terrorismo

guess what Comunicação, Digital 31 Março, 2016

Os mais recentes ataques terroristas na Bélgica colocaram novamente, não só um país, mas todo o mundo em alerta permanente. Os governos e as forças de segurança estão hoje mais atentos e vigilantes no sentido de devolver a tranquilidade às populações que acabam por estar em constante sobressalto. É neste regresso à normalidade que a comunicação tem um relevante papel.

A sociedade da hipercomunicação em que vivemos atualmente facilita a visibilidade pública que movimentos como os terroristas procuram e necessitam para transmitir as suas mensagens e cumprir os seus propósitos. O impacto e a “espetacularidade” das suas ações choca toda uma sociedade europeia, pouco habituada a tais atos, espalhando o terror e o medo desejado pelos seus autores. As imagens e as histórias em torno dos que morreram ou sobreviveram saltam rapidamente para os meios de comunicação social, obtendo uma cobertura mediática em larga escala. Por outro lado, as redes sociais, com particular destaque para o Facebook, através de uma comunicação em rede, são mais um contributo para as aspirações e intentos dos terroristas.

Então como deveremos agir? Informar ou não informar? Esta é uma questão frequente quando se fala de terrorismo e na influência que a comunicação tem na propagação das mensagens e dos atos terroristas. No meu entender, a não informação de tais atividades causa mais prejuízo do que benefícios pois cria espaço e condições para a proliferação de boatos e especulações que provocam maior incerteza e insegurança.

A resposta passa por concertar esforços em torno de estratégias de comunicação comuns com uma aplicação local de grande proximidade e transparência junto dos cidadãos. O combate terá de ser feito no terreno, diariamente, demonstrando que o terrorismo é algo que muito provavelmente veio para ficar mas que sempre existiu. E aqui temos a história que comprova isto mesmo. A grande diferença é a tecnologia que amplifica as atividades terroristas. O desafio está em saber direcionar e ativar as potencialidades das tecnologias em torno da segurança e da promoção da paz.

 

@Renato Póvoas, Managing Partner