“Content is King. Distribution is Queen”

guess what Comunicação 24 Fevereiro, 2017

“Content is King. Distribution is Queen”. Quem tem acompanhado a digitalização e a evolução do marketing de conteúdo já se cruzou, certamente, com esta afirmação.

São muitas as razões que justificam o aforismo: das limitações publicitárias online à atitude mais crítica e seletiva do consumidor, muitos foram os fatores que catapultaram o conteúdo para o palco da estratégia digital.

De marcas com comunicações tendencialmente unilaterais e, em muitos casos, centradas nas suas mensagens, estamos gradualmente mais focados em entregar aos públicos o que estes realmente procuram, moldando as suas mensagens a esses interesses e não o inverso.

Ao longo deste caminho, percebemos que o melhor dos conteúdos não conquistaria se não chegasse às pessoas certas. Desta consciencialização, nasceu o casamento (de conveniência?) entre conteúdo e distribuição.

No entanto, não consigo deixar de pensar nos herdeiros deste casamento real. O motivo? A sucessão. É essencial assegurar a continuidade de uma estratégia de conteúdo saudável a longo prazo. Podemos identificar muitos príncipes pretendentes a esta coroa mas, hoje, gostava de colocar na genealogia digital um dos herdeiros de destaque: a análise de dados.

Notável pela capacidade de criar métricas e compreender as preferências/ bloqueios do consumidor com base em dados objetivos, a digitalização abre-nos portas a estratégias de negócio mais informadas e atualizadas em tempo real.

A apologia da “recolha – análise – interpretação – reformulação estratégica” está a aumentar (e ainda bem). Até os barómetros sobre mercado de trabalho espelham esta necessidade: segundo este artigo, a procura de competências analíticas crescerá 18.6 por cento até 2024.

Mas, como em qualquer área, os excessos pagam-se caro: se muitas organizações ignoram o potencial dos dados de que, provavelmente, dispõem, outras correm o risco de sobreanalisar e perder-se num excesso de informação que, ao invés de agilizar o negócio, o complexifica.

Os dados são essenciais às organizações modernas mas saber selecionar que dados espelham os objetivos e contribuem para a compreensão e melhoria do negócio é igualmente importante.

A estrutura de recolha e análise de dados dependerá de cada negócio, da estratégia, dos canais e de tantos outros critérios intrínsecos. E se a certeza que os dados estarão cada vez mais associados à competitividade e à criação de valor global de um negócio, o conteúdo, enquanto personagem forte do marketing digital, não é exceção: uma estratégia assente em conteúdo de qualidade, com uma correta arquitetura de distribuição tem todo o potencial, mas este só terá longevidade se incorporar os dados relevantes ao objetivo – tanto os recolhidos antes, no momento zero da estratégia, como ao longo de toda a sua execução.

@Nélia Silva, Senior Communication & Digital Consultant