O crime viral

guess what Comunicação, Digital, Relações Públicas 26 Fevereiro, 2013

Depois de marchas pelas ruas que se organizam no Facebook, de cartazes que circulam nos blogues e que inundam as redes sociais, e de textos de revolta que não têm voz num mundo físico, a última forma de protesto a ganhar protagonismo na Internet é a divulgação do número de contribuinte de alguns dos nossos ministros. O Primeiro, em primeiro lugar; embora logo lhe tenham seguido os NIF’s de Miguel Relvas, Vítor Gaspar e Paula Teixeira da Cruz. O povo parece estar a gostar, talvez alheio à ilegalidade do ato – por falta de conveniência do conhecimento, obviamente; aliada a uma facilidade de partilha que parece tornar tudo demasiado simples para ser perigoso. É essa a ilusão do virtual. De quem escolhe informar por aí, incentivando ao mesmo ato, propagando dados confidenciais, porque estão à distância de um clique. E é tudo muito divertido, criativo até. Foi notícia para roubar valentes gargalhadas a quem ainda estava de fora (e aos de fora). Em alguns estabelecimentos, somos mesmo capazes de encontrar quem, atrás do balcão, nos forneça os números que não temos. Mas a pegada de volta à origem está muito mais marcada do que aquela que nasce na rua. No virtual tudo permanece escrito. E há tempo para o detetar, é um tempo chamado “para sempre”.

Diz a comunicação social que as faturas já vão nos milhares, e que o Primeiro tem aparentemente gasto mais do que aquilo que declara. Resta-nos esperar que a lei seja válida para todos, e que, por vir nos jornais parte da explicação, não deixe de ser necessária a fiscalização do que se passa. Pedro Passos Coelho veio dizer não estar preocupado. É a estratégia da desvalorização que normalmente só tende a aumentar vontades. Enquanto isso, o grupo de Facebook “Eu já pedi fatura em nome de Ministros” mantém, na imagem de capa, os dados a que todos querem ter acesso, e vai somando gostos diários. Até agora, 2.529.