O valor e a democratização nas marcas

Guess What Comentário à Atualidade, Comunicação 30 Setembro, 2021

Atualmente, é possível observar a crescente preocupação do consumidor em questões de ordem ética, política, social e ambiental no momento de efetuar a compra de um produto ou serviço. Desta forma, numa sociedade marcada por um consumidor cada vez mais consciente, é igualmente imperativo que as marcas se tornem mais proativas na procura de métodos e práticas responsáveis.

As empresas assistem, assim, a uma necessidade de estabelecer uma relação de confiança com os seus consumidores, adotando uma política de transparência e honestidade, sendo responsáveis e, sobretudo, consistentes. Como referiu Sandra Alvarez Batista, Diretora-Geral da PHD Media Portugal, para a revista Sábado, “para reforçar a confiança, o primeiro passo é que as marcas cumpram aquilo que prometem”, coisa que, infelizmente, nem sempre acontece.

No contexto atual, as marcas lutam pela sua reputação, sendo necessário que incorporem não apenas uma personalidade responsável, mas que também cumpram com as suas promessas. Isto porque caso se venha a descobrir o contrário apenas irá denegrir a sua imagem e originar uma crise no negócio. Como exemplo real desta quebra de confiança entre o consumidor e a marca destaca-se o caso da Volkswagen, quando foi descoberto que alguns veículos tinham sido equipados com um software que tinha como principal objetivo encobrir os valores reais da emissão de gases poluentes durante os testes efetuados em laboratório. Este episódio teve um grande impacto na reputação da marca, tendo a mesma sofrido represálias.

Esta questão faz-nos refletir sobre o conceito de democracia na relação com as marcas. O consumidor tendo o poder de optar por uma marca em detrimento de outra pode, de certa forma, votar na qual se revê. Como refere João Campos na sua Crónica “A dois tempos: Cultura ou a solução liberal de excelência”, de 11 de outubro de 2020 para a Revista Gerador, “é a compra consciente – o voto pelo consumo – que valida e recompensa as organizações socialmente comprometidas e, por outro lado, pressiona as restantes a estar à altura de uma democracia desenhada à imagem do seu cidadão.”

João Machado, Designer