Política de comunicação de Bolsonaro

Ideologias à parte, figuras como Jair Bolsonaro ou Donald Trump, são muito interessantes do ponto de vista da forma como comunicam. Ambos sabem quem é o seu público e é para ele que falam, de uma forma que pode parecer inocente mas que é estudada e pensada. Ambos ignoram ou chegam a hostilizar a comunicação tradicional e focam-se nos novos meios ao seu dispor, mais diretos e sem contraditório. E como se prova pelos resultados obtidos nas eleições, ambos são comunicadores brilhantes ou pelo menos, estão muito bem rodeados, mesmo que seja tentador fazer deles, meras caricaturas.

Bolsonaro, que passará a ser Presidente do Brasil a 1 de janeiro de 2019, foi mudando o seu discurso ao longo dos últimos meses conforme mostra a revista brasileira Piauí, neste excelente artigo. Passamos a saber que antes da vitória a sua palavra favorita era Brasil. Depois, deu mais enfase a liberdade e a verdade. Assim se prova que o discurso é intencional e não apenas algo que sai sem grande reflexão.

 

Para além da linguagem, o formato assume em Bolsonaro um papel importante. Ignorando os tradicionais debates televisivos, o candidato optou por usar as redes sociais e serviços de chat para fazer passar as suas mensagens. Se Trump foi o candidato do Twitter, Bolsonaro foi o candidato do Facebook e sobretudo do Whatsapp. Esta comunicação mais direta, que dá ao eleitor a sensação de proximidade e dá-lhe importância, deve continuar. E porque não, se funcionou na perfeição?

 

Num país abalado por diversos casos de corrupção o passado militar de Bolsonaro e o seu discurso que foge do politicamente correto foram bem recebidos pela maior parte dos brasileiros votantes. Não sei se Bolsonaro é a melhor opção para o futuro do Brasil mas que é um caso de estudo interessante em termos de comunicação, é…

 

Francisco Reis, Corporate Division Manager & Managing Partner