Que IF para 2009

Guess What Comunicação 3 Dezembro, 2008

Como temos tido a oportunidade de ler, ver e escutar, este não tem sido um final de ano particularmente positivo para as empresas da indústria farmacêutica presentes no mercado nacional. Mas como será o ano 2009 para esta relevante indústria?

Para nos ajudar a compreender melhor o futuro teremos, nos próximos dias, alguns textos referentes a este tópico, elaborado por parceiros Guess What. O primeiro fica já aqui e é da autoria de Luis Duarte, Strategy & Business Development Director da empresa Amaze.

“A perspectiva, mais que fundamentada, de um envelhecimento progressivo da população, tem implicações acrescidas, quer para o Serviço Nacional de Saúde quer para a Indústria Farmacêutica.

De facto, à medida que a população envelhece, a incidência de patologias crónicas relacionadas com a idade como as doenças reumáticas, as doenças cardiovasculares e alguns tipos de neoplasias, irá aumentar significativamente. Neste sentido, com o aumento da esperança média de vida, as pessoas irão consequentemente recorrer aos Serviços de Saúde por um maior período de tempo. Paralelamente, assiste-se também à utilização de terapêuticas de custo elevado assim como a um aumento progressivo do número de doentes diagnosticados. Quaisquer destes factores, individual ou conjugadamente, contribuirão de uma forma inequívoca para um aumento sustentado dos encargos do Estado com a Saúde dos cidadãos.

Consequentemente, apesar da despesa com medicamentos representar apenas uma pequena parte da despesa total dos Serviços Nacionais de Saúde, os governos estudam e implementam medidas que permitem uma redução de custos nesta área, para que se possam gerar recursos financeiros para fazer face a um previsível aumento dos gastos, elegendo a despesa com medicamentos como prioritária para esse efeito.

Por exemplo, estratégias de contenção de custos como reduções de preço ou uma maior dificuldade na obtenção de preço e do respectivo reembolso para um novo produto, acompanhadas por uma dinamização do mercado de genéricos ou de medidas restritivas para o acesso à classe médica, são hoje frequentes e representam barreiras reais para o crescimento das empresas farmacêuticas.

A Indústria Farmacêutica enfrenta, assim, um profundo processo de mudança. Face a esta “nova” realidade, as empresas farmacêuticas necessitam de se redefinir ao nível das suas estruturas e estratégias de abordagem ao mercado, de forma a poderem adaptar-se a este novo contexto, que se prevê duradouro e que tem como consequência inerente um aumento significativo da competitividade entre as mesmas. De facto, a única certeza que existe acerca do futuro é que, nele, tudo irá ser diferente. Tentar prevêr o futuro, é como conduzir um automóvel, à noite, sem luzes, numa estrada desconhecida, enquanto se olha pelo espelho retrovisor; uma completa incerteza.

Peter Drucker refere que a melhor forma de prever o futuro é ajudar a criá-lo. Na práctica, é precisamente através desta perspectiva que as empresas farmacêuticas melhor se poderão diferenciar e ganhar a vantagem competitiva que tanto ambicionam. Nunca se saberá ao certo o que se poderá alcançar com uma determinada iniciativa se nunca se tiver tentado implementá-la na práctica.

Na realidade, os ventos de mudança que assolam o sector farmacêutico, proporcionam um conjunto infinito de oportunidades para as empresas empreendedoras que enfrentam de forma determinada a mudança e a explora como uma oportunidade para o sucesso.

É, pois, fundamental que estas estejam preparadas para agir rapidamente, de forma a identificar, avaliar, definir e implementar soluções estratégicas que possam gerar diferenciação e valor acrescentado.

Processos de licenciamento são elementos essenciais para a estratégia das Empresas Farmacêuticas. A crise actual na Investigação e Desenvolvimento, acompanhada pelo incremento das medidas regulamentares e por um “vaga” de produtos major com patentes expiradas, limita as empresas na continuidade do fortalecimento dos seus pipelines, tornando-as mais dependentes deste tipo de processos para cumprimento dos seus objectivos, estimando-se que seja esta uma tendência cada vez mais real.

Neste sentido, uma das iniciativas possíveis passa pelo estabelecimento de parcerias estratégicas entre empresas, de in-licensing, out-licensing ou outras, permitindo que estas adoptem estratégias de licenciamento adequadas e maximizem as oportunidades de crescimento. Torna-se assim imperativo que haja uma proactividade por parte das empresas farmacêuticas, na procura de novas oportunidades para acordos, em oposição a uma atitude passiva de espera dessas mesmas oportunidades.”