Super Bowl

Do sentido de oportunidade. Ou da falta deste.

guess what Comunicação, Digital, Relações Públicas 19 Fevereiro, 2013

“You can still dunk in the Dark.” Tradução? “A tua atenção é preciosa, obrigado.” Talvez seja uma tradução demasiado livre, mas qualquer gestor de marca e de RP perceberá o sentido.

A edição de 2013 do Super Bowl, um dos maiores eventos desportivos do mundo e o espaço publicitário mais caro de sempre, ficou marcada por um apagão que durou mais de meia hora.

Em poucos minutos, a Oreo contra-atacou com um Tweet onde se podia ler “Power Out? No problem” que não só fez as delícias dos consumidores, como preencheu a lacuna do entretenimento prometido aos adeptos.

Mais de 16 mil retweets depois, a Oreo provou que, além de contar com uma fabulosa máquina de comunicação, sabe aproveitar a oportunidade. A marca explorou a disponibilidade “forçada” dos adeptos e a explosão da comunicação digital, bem como a alteração que os smartphones e redes sociais imprimiram nos hábitos de consumo e socialização nos grandes eventos, onde tudo é partilhado ao minuto, tornando-se um palco ainda mais atrativo para as marcas.

Menos sorte teve a Nike, no que toca ao sentido de oportunidade. Depois da detenção de Oscar Pistorius pela suspeita de homicídio da namorada, a marca cancelou a campanha cujo conceito remetia para a velocidade do atleta: “I’m the bullet in the chamber”.

Evitando a inevitável associação de mau gosto ao caso, a marca suspendeu a campanha mostrando que por vezes o sentido de oportunidade também passa por tirar as tropas de campo e rever a estratégia.

Podemos falar num fator de sorte, ou falta dela, nestas oportunidades? Talvez. Mas, para lá da sorte, há um enorme trabalho de definição da identidade e gestão de marca que permite uma resposta no timing, que dispensa longos processos de reflexão e aprovação. Uma preparação exigente, mas que distingue quem consegue explorar as (boas) oportunidades.