Este não é um artigo sobre a invasão da Ucrânia, mesmo que o uso da palavra invasão possa denunciar a minha posição sobre os acontecimentos dos últimos meses. Este é um artigo sobre comunicação, do ponto de vista de quem trabalha com ela há mais de quinze anos e sobre um ponto determinante de uma estratégia vencedora: manter-se relevante. 

E no caso da Ucrânia e dos seus porta-vozes, manter-se relevante é mesmo um caso de vida ou de morte(s). Tudo isto a propósito de várias aparições públicas do presidente ucraniano e da sua mulher, a começar pela capa da Vogue (sim, sei que a capa já é de julho), uma publicação glamorosa, sobretudo dedicada à moda. Nela, o casal Zelensky deixou-se fotografar por Annie Leibowitz para o interior e a senhora Zelenska aparece na capa. Não faltaram críticas e alguma incredulidade. Em tempos de guerra, com a população a sofrer e a morrer, o casal presidencial tem tempo e cabeça para produções de moda? Tem. E fez muito bem. Faz parte do esforço continuo de se manter na agenda mediática.

Não que seja fácil esquecer uma guerra, muito menos quando ela é em plena Europa e afeta indiretamente os países mais ricos, mas é natural que, com o passar dos meses, o assunto vá perdendo alguma importância mediática, a favor de outros gatilhos de comunicação, como a proximidade, que é como quem diz, as notícias locais.

Zelensky, com passado como entertainer, sabe comunicar e percebe o valor de aparecer. Assim, não é nada secundário que fale aos parlamentos de tantos países quantos aqueles que o queiram ouvir e aproveite todas as oportunidades e todos os fóruns para passar as suas mensagens. Neste caso, aparecer é mesmo não morrer. Ou pelo menos, morrer dando luta.

Francisco Reis, Corporate Division Manager & Partner

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