Desconstruindo uma camisa

Não deixa de me surpreender quando percebo que ainda há muitas pessoas à frente de empresas que não sabem ou percebem a importância de ter uma visão, missão e valores muito bem definidos e qual o seu impacto, positivo ou negativo.

No entanto, compreendo que os conceitos de visão, missão e valores podem ser um tanto ou quanto abstratos, ao ponto de serem de difícil compreensão para quem até gostaria de os compreender e aplicar.

Como tal, desafio-o(a) a um pequeno exercício. Quero que encare uma empresa como uma camisa. Essa camisa pode ser lisa, às riscas ou às bolinhas, mas é a sua camisa (empresa).

O propósito de uma camisa quando feita é que encaixe na perfeição no cliente final e que este se sinta bem e feliz. Portanto, podemos encarar aqui o propósito da camisa como a visão. Qual é o maior propósito da sua empresa?

Agora, quero que imagine os buracos para os botões da camisa como a missão (tanto podem ser à esquerda como à direita).

Neste caso, convém que todos os buracos estejam do mesmo lado, ou seja, em sintonia porque senão a camisa não só vai parecer estranha (inspirando pouca confiança, conforto ou estilo), como irá ficar meio amanhada e vincada.

Qual é o sentido/direção da missão da sua empresa? É claro para todas as pessoas?

Agora quero que pense que cada departamento (constituído com as suas pessoas) é um botão e para que a camisa fique completa, todos têm de dar o seu contributo/ajuda.

Daí ser fundamental que todos os botões saibam exatamente a sua grande mais-valia e o seu contributo para o todo, porque basta um botão ficar mal costurado, que mais cedo ou mais tarde irá ceder e vai haver um buraco não preenchido naquela camisa, tornando toda a camisa desequilibrada e pressionando todos os outros botões.

Por último, quero que encare a cor e a forma dos botões como os valores. Todos têm de estar sincronizados e ter compreendido quais são os valores, a missão e a visão, senão teremos botões de cores diferentes, o que facilmente irá levar a uma perceção exterior de que qualquer coisa não está certa. 

É por isto que quando há uma mudança, todos têm de estar em sintonia, senão iremos acabar com uma camisa/empresa que não irá convencer o consumidor final.

PS: se a camisa se está a desfiar, o melhor é olhar para os processos internos e perceber com os melhorar/retificar, caso contrário, por muito sincronizados que estejam os buracos, botões e cores, a camisa deixará de existir.

Miguel Sousa, Strategy & Ideation Manager