O futuro do trabalho no pós-pandemia ou mais do mesmo

Guess What Comentário à Atualidade, Comunicação 29 Abril, 2021

Quem não parou já para pensar como vai ser o pós-pandemia? A pergunta deveria ser antes: quantas vezes é que já parámos para pensar no que vai acontecer quando a Covid-19, que nos obrigou a entrar numa espécie de intervalo da normalidade, deixar de ser uma preocupação?

Das ‘bucket lists’ pós-pandémicas, que todos já fizemos e continuaremos a fazer e que incluem viagens, encontros, jantares, celebrações e abraços, às especulações, com maior ou menor base científica, arriscar descrever um cenário para o futuro acaba por ser uma forma de lidar com o presente. É assim em muitas áreas e é também assim na área do trabalho, onde poucos são os que acreditam que as coisas vão voltar a ser o que eram.

Da PWC chega um relatório, o ‘Hopes and Fears 2021’, que espelha a opinião de 32.500 trabalhadores de todo o mundo sobre o que o futuro nos reserva no que ao mundo laboral diz respeito. E apesar de 50% se confessarem entusiasmados ou confiantes com esse futuro, a maioria (72%) não deseja regressar ao tradicional modelo de trabalho. Em vez disso, prefere uma combinação de trabalho remoto e pessoal.

De facto, é surpreendentemente baixa a percentagem de pessoas que, podendo trabalhar remotamente, desejam voltar ao escritório a tempo inteiro: apenas 9% manifestam essa vontade. Ao todo, 72% dos inquiridos preferem um mix, com quase dois em cada dez (19%) a partilharem que seriam felizes se nunca mais tivessem que regressar ao espaço físico do escritório. Resultados que poderão ser, para algumas pessoas, uma surpresa, sobretudo para aquelas que partilharam o teletrabalho com as aulas dos filhos à distância. 

Tendo em conta estes resultados, são muitas as empresas que planeiam manter pelo menos algum trabalho virtual ou horário flexível, com mais de metade a assumir que o trabalho remoto vai passar a ser parte permanente da sua estratégia de força de trabalho. O que significa mudanças no espaço físico, mas mudanças também na forma de comunicar, já ensaiada nestes tempos de pandemia, que parece ter vindo para ficar.

​Carla Mendes, Senior Content Manager